620 km / 25 dias a pé

O Caminho de Santiago Português

A rota que une Portugal e Santiago de Compostela

O Caminho Português é uma importante rota que une Portugal e Espanha. Descubra como é este caminho, as dicas para percorrê-lo e os bens culturais que vai visitar

Lembre-se de que para fazer o Caminho de Santiago não é preciso percorrer a rota inteira. Pode fazer a sua escolha e partir de qualquer um ponto da rota. Faça o número de etapas ou quilômetros que desejar. 100 km a pé são suficientes para qualificar você para receber a Compostela, o certificado do peregrino, à sua chegada à Catedral de Santiago.


Imagem: Torre de Belém, Lisboa

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O Caminho Português

620 km / 25 días a pie / 5 días en bici

 

O Caminho Português de Santiago, também conhecido como Caminho Central Português, é uma rota ideal para as pessoas que quiserem viver uma experiência diferente, enquanto conhecem as culturas portuguesa e galega. O ponto de saída está marcado na Igreja de Santiago e na Sé Catedral da capital de Portugal, Lisboa, e o percurso continua até chegar à Praça do Obradoiro em Santiago de Compostela. Pelo caminho iremos passar por cidades belíssimas, aldeias e paisagens que não esquecerá.

Se está interessado em fazer o percurso português, dê uma olhada na informação que cá deixamos sobre as etapas, pontos de interesse e informação de alojamento do Caminho Português.

O Caminho Português é um caminho completamente diferente. Nele não achamos travessias muitos difíceis nem fortes desníveis, como acontece no Caminho Francês. Mas como os caminhos irmãos, está carregado de história milenária e discorre por formosas paisagens naturais, entre arvorados, pontes medievais, cruzeiros, rios... Historicamente foi uma importante rota cultural e comercial, e como verá quando faça o seu Caminho, não apenas a devoção, mas as relações sociais, económicas e culturais movem os peregrinos neste rumo.

camino portugués

Tudo o que há para saber sobre o Caminho Português de Santiago

Está a pensar em aventurar-se pelo Caminho Português? Se assim for, deu no alvo, porque neste site apresentamos-lhe um guia detalhado e algumas dicas para fazer o Caminho de Santiago sozinho ou acompanhado desde a rota milenar do Caminho Português de Santiago.

O Caminho Português ou Caminho Central Português é o segundo itinerário mais popular do Caminho de Santiago, sendo o primeiro o Caminho de Santiago Francés. Este rumo mantém-se na frente, diante de outros itinerários reconhecidos como o Caminho de Santiago do Norte, a Vía da Prata ou o Caminho de Santiago Primitivo.

O Caminho Português parte de Lisboa e percorre, de sul para norte, cidades e vilas portuguesas e galegas, muitas delas distinguidas pela sua história e beleza: Coimbra, Porto, Ponte de Lima... E já na Galiza, Pontevedra, Caldas de Reis ou Padrón. O Caminho Português tem uma distância de 620 km e compõe-se de 25 etapas diferentes, de entre 13 e 34 km.

Enquanto o Caminho Português entra na Galiza, dele se desprendem dois rumos distintos, mas a melhor rota é a que tem origem em Tui (Espanha) e termina em Santiago de Compostela. Esta rota compreende 117,5 km que podem ser realizados com comodidade em 5 ou 6 dias.

Santarém

Coimbra

Porto

Barcelos

Etapas do Camino de Santiago Portugués

Para fazer o Caminho Português ou Caminho Central Português a pé tem que percorrer 25 etapas, sensivelmente 620 Km. Se faz o Caminho de bike, as etapas serão 5 ao todo desde o Porto.

Etapa 1
Lisboa – Alhandra (28 km)

Se não conhece Lisboa, vá um dia ou dois antes de partir para gozar de seu formoso amanhecer sobre o Tejo, o centro histórico e a sua gastronomia. Não perca a oportunidade de experimentar maravilhas da cozinha portuguesa como o caldo verde, as feijoadas ou os célebres e deliciosos Pastéis de Belém.

O caminho de Santiago está mesmo muito bem marcado desde a Sé Catedral ou a Igreja de Santiago. Comece o seu peregrinar para Alhandra pelo Caminho do Tejo, percurso espiritual para Fátima.

Etapa 2
Alhandra – Azambuja (18 km)

Continuamos para Azambuja, caminhando muito perto do caminho de ferro. Em Azambuja destaca o Pelourinho de Manique do Intendente, que encontrará nessa aldeia, e a Igreja da Assunção. Nesta etapa, se estão em temporada, poderá experimentar as deliciosas enguias fritas, o ensopado de enguias, o arroz de lampreia ou as queijadinhas à sobremesa.

Etapa 3
Azambuja – Santarém (23 Km)

Seguindo o caminho vamos chegar, acompanhados do Tejo, a Santarém, capital do Gótico em Portugal. As suas igrejas merecem um percurso sossegado, sobretudo a Igreja da Graça ou a Catedral. Não perca o Castelo de Almourol, situado numa ilhota a meio do rio Tejo. Nesta terra poderá testar os pescados do rio, e as enguias e lampreias em temporada. Os vinhos também têm notoriedade.

Etapa 4
Santarém – Golegã (30 km)

Partimos de Santarém, seguindo o curso do Tejo, passando por Pombalinho até Golegã, município onde é a freguesia de Azinhaga, berço do Nobel da Literatura José Saramago. Golegã também é reconhecida pela Feira Nacional do Cavalo, uma das feiras mais típicas do país que se celebra em novembro. Nesta etapa será preciso carregar na mochila abundância de provisões, pois nas localidades intermédias apenas há oferta de supermercados ou mercearias onde o peregrino se pode abastecer. Ao chegar a Golegã poderá experimentar alguma de suas famosas sopas ou a alapardana, com couve e pão de broa, e bacalhau assado à moda da aldeia de acompanhamento natural.

Etapa 5
Golegã – Tomar (22 km)

Após 22 km de caminho, chegamos a Tomar, antiga sede da Ordem dos Templários e uma cidade com muito charme, carregada de história e com abundância de obras artísticas e culturais. Vale a pena visitar o Convento de Cristo, uma das obras renascentistas mais importantes de Portugal, ou os vestígios da Ordem dos Templários, como o castelo do século XII. A cada 4 anos, no começo do mês de julho, celebram a Festa dos Tabuleiros, uma das festas mais antigas de Portugal cuja sua origem encontra-se nas celebrações de colheita à deusa romana Ceres.

Etapa 6
Tomar – Alvaiázere (32 km)

Nesta etapa vamos caminhar por sendas milenárias do Caminho Português, e vamos encontrar vestígios de outras épocas, como a ponte com arcos góticos de Peniche, que fazia parte de uma muito antiga via de comunicação entre as cidades de Tomar e Coimbra. Em Tomar poderá visitar o Castelo Templário ou o Convento de Cristo (século XII), além de outras igrejas monumentais, e provar as migas de feijão, acabando a refeição com as famosas fatias de Tomar.

Etapa 7
Alvaiázere – Rabaçal (33 km)

Continuamos pela antiga calçada romana, parando em Ansião, concelho do distrito de Leiria famoso pelo monumental Castelo de Santiago da Guarda, sito na freguesia do mesmo nome. Chegando a Rabaçal aproveite para visitar a Villa Romana, que dispõe de um magnífico conjunto de mosaicos, ou o castelo de Germanelo. Na gastronomia local destaca-se o Queijo Rabaçal, que constitui uma denominação de origem protegida. Aliás, a Beira Litoral oferece-lhe manjares próprios como as migas com morcela ou a sopa à lavrador ou de feijão verde.

Etapa 8
Rabaçal – Coimbra (32 km)

Se passamos a noite em Rabaçal, poderemos percorrer 13 km até Cernache ou continuar para Coimbra depois de caminhar mais 13 km. Antes de entrar nesta formosa cidade Património da Humanidade, é preciso parar na antiga cidade romana de Conímbriga, situada na freguesia de Condeixa a Velha e classificada como Monumento Nacional. Depois de seguir caminho terminaremos na bela cidade de Coimbra, antiga capital de Portugal e sede de uma das Universidades mais antigas de Europa, fundada em 1290. A sua catedral e igrejas, parques e edifícios universitários, bem como os passeios à beira do rio Mondego, merecem uma estadia sossegada. E para comer recomendamos optar pelos célebres assados, como o cabrito assado no forno de lenha ou o leitão assado à moda da Bairrada. À sobremesa: um copo de jeropiga, muito apreciada pelos estudantes, ou arroz doce e pastéis de Coimbra.

Etapa 9
Coimbra – Mealhada (23,3 km)

Seguindo o curso do rio Mondego chegamos a Mealhada, em cujas portas se encontra um marco milenário do século I, que indicava a milha romana 12 da Via de Olissipo (Lisboa) a Cale (Vila Nova de Gaia). Outro vestígio histórico que nos acompanha no nosso caminhar. E, se desejar parar a meio caminho, um destino perfeito é a Mata Nacional do Buçaco, uma área protegida que conta com um conjunto arquitetónico, botânico e paisagístico único em cujo centro é o Palácio Real, hoje convertido em hotel (Palace Hotel do Bussaco) e considerado como o último legado dos reis de Portugal.

Etapa 10
Mealhada – Águeda (25 km)

Seguindo de perto a IC2, passaremos por Aguim, Anadia e Avelas do Caminho para chegar a Águeda. É aqui onde o rio do mesmo nome forma o maior lago de toda a Península: Pateira de Fermentelos. Em Águeda poderemos tomar carne de cabra, carneiro, coelho ou leitão, assada com diferentes acompanhamentos e, à sobremesa, os famosos pastéis de Águeda, com forma de peito feminino e recheios de creme e fruta, os quais lembram o martírio desta santa.

Etapa 11
Águeda – Albergaria A Velha (15,8 km)

Etapa de transição que nos leva a Albergaria-A-Velha, na Região de Aveiro, onde poderemos visitar símbolos do seu património como os pelourinhos de Frossos e Açores, as mamoas do Taco ou as suas igrejas e capelas. Se vai fazer o Caminho nos meses mais quentes e secos, é conveniente levar proteção contra o sol e manter cheia a garrafa metálica de água. Nas vilas e aldeias do caminho poderá repor provisões e degustar a variada gastronomia da Região de Aveiro, que inclui pratos como o leitão assado, os rojões, receitas com carne de cabra e de carneiro, além de doces como os suspiros e cavacas.

Etapa 12
Albergaria A Velha – Oliveira de Azeméis (19,7 km)

Nova etapa de transição pela antiga via medieval para Albergaria-A-Nova, Bemposta e, após atravessar a ponte do Senhor dá Pedra, para Oliveira de Azeméis. Nesta cidade vale a pena visitar o romântico Santuário e o Parque de La-Salette, monumento histórico e natural.

Etapa 13
Oliveira de Azeméis - Grijó (28,1 km)

Etapa muito comprida na que não pode perder o Mosteiro de São Martinho de Cucujães, no concelho de Oliveira de Azeméis. Oliveira conta com uma variada oferta hoteleira e turística, e com uma cozinha única que inclui as papas de São Miguel, um caldo de porco marinado em vinho tinto e, para um lanche mais doce, beijinhos de Azeméis ou Zamacóis. Neste ponto pode escolher entre terminar a etapa em Arrifama, Lourosa ou continuar para Grijó, freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia, perto do Porto.

Etapa 14
Grijó – Oporto (15,1 km)

Esta é uma das etapas mais representativas do Caminho Português, pois chegamos ao Porto, a segunda cidade de Portugal e uma das cidades mais formosas de Europa, Património da Humanidade. Valerá a pena aproveitar no mínimo um dia para conhecer os seus bairros e becos, descer até a Ribeira e olhar Gaia, do outro lado, com as suas caves de Vinho do Porto. Para o almoço pode decidir-se pelas famosas francesinhas, ou escolher pratos típicos da culinária portuense, como as tripas à moda do Porto, a linguiça ou o polvo à lagareiro. E um copinho de Vinho do Porto à sobremesa.

Nesta etapa podemos decidir-nos pelo Caminho Português da Costa ou continuar pelo Caminho Português tradicional.

Etapa 15
Oporto – Vilarinho (26,5 km)

Esta etapa é das mais compridas: poderemos terminar em Vilarinho ou passar a noite em um ponto intermédio, por exemplo Maia que é a 13 km do Porto.

Etapa 16
Vilarinho – Barcelos (27,3 km)

Podemos caminhar sem pressa entre Vilarinho e Barcelos, para chegar à cidade do famoso galo e uma das capitais do artesanato em Portugal. A não perder: a Igreja Matriz, a icónica ponte medieval sobre o rio Cávado, o Paço dos Condes de Barcelos e a Torre da Porta Nova. Barcelos é uma das cidades com mais tradição jacobeia, a qual vai sentir ao caminhar pelas suas ruas e, afinal de contas, a famosa lenda do Galo de Barcelos tem um peregrino de Santiago como protagonista. Se quiser aproveitar para conseguir algum souvenir, passear pela cidade oferece-lhe mais de uma oportunidade de levar o famoso galo, símbolo do turismo nacional e ícone de identidade da nação portuguesa.

Etapa 17
Barcelos – Ponte de Lima (34,5 km)

Estamos perto da fronteira com a Galiza, e começaremos caminho para Ponte de Lima. Esta vila, conhecida por ser a mais antiga de Portugal (obteve este título em 1125), é caracterizada pela sua arquitetura medieval e pela área envolvente, banhada pelo rio Lima. Aliás, é parada obrigatória pela sua saborosa cozinha, destacando-se a lampreia, o arroz de sarrabulho ou os rojões de porco.

Esta é uma etapa comprida e marcada por vários desníveis. Se decide passar a noite em um ponto intermédio, pode escolher Vitorino dos Piães, onde poderá visitar numerosos castros.

Etapa 18
Ponte de Lima – Rubiães (17,4 km)

Neste ponto deveremos fazer uma paragem intermédia em Rubiães, pois Ponte de Lima e a cidade raiana de Valença do Minho estão separadas por quase 40 km. Caminharemos seguindo o rio Labruja, e experimentaremos uma parte bem rasgadinha do Caminho Português: a subida à Serra de Labruja, onde é a famosa Cruz dos Franceses. Se viajar de bike, talvez tenha de carregá-la nos desníveis ou seguir caminho pela M-552 e a seguir a N-201. Se encarar a subida com calma, vai conseguir superar uma das etapas rainhas do Caminho Português de Santiago.

Etapa 19
Rubiães – Tui (19,1 km)

Se resolve passar a noite em Rubiães, a etapa de hoje será curta. Temos duas opções: dormir na formosa cidade raiana de Valença ou atravessar a Ponte Internacional sobre o Rio Minho, entrar na Galiza e passar a noite na cidade de Tui. Se ficar em Valença, deve assistir ao pôr do sol num dos baluartes do Forte, e visitar a Igreja de Santa Maria dos Anjos e a Igreja Matriz de Santo Estevão. Em Valença também poderá degustar boa gastronomia portuguesa, que proximamente terá de mudar pela galega. Recomenda-se o Bacalhau de São Teotónio, Cabrito à Sanfins, anho no forno ou caldo verde.

Etapa 20
Tui – O Porriño (13 Km)

Já estamos na Galiza, a cada vez mais pertinho de Santiago de Compostela. Visite o centro histórico da cidade de Tui, a sua Catedral de Santa Maria, o Convento das Clarisas ou a igreja de Santo Domingo, e comece a etapa com força, pois tem por diante um breve itinerário com traçados suaves e bem assinalados. Estamos a 115 km de Santiago e o Caminho vai conduzir-nos pelo curso do rio Minho para passar por um misto de bosques e videiras. Uma parte importante da etapa seguirá por estrada: recomenda-se tornar-se visível, usando roupas claras ou material retrorrefletor.

Etapa 21
O Porriño – Redondela (16 Km)

Nova etapa suave con desníveis reduzidos. A única dificuldade está na subida que une o Albergue de Mos com a capela de Santiaguiño. Uma vez superado este ponto, o Caminho continua descendo até chegarmos a Redondela. Nesta vida poderá experimentar o que há de melhor da sua gastronomia: o choco. Nas águas da Ilha de San Simón há abundância deste cefalópode, da família da lula, o qual poderá saborear com arroz, na própria tinta ou em empada.

Etapa 22
Redondela – Pontevedra (19 Km)

Etapa curta, com reduzidos desníveis -só duas subidas rasgadinhas ao sair de Redondela-, decorre a par da formosa Ria de Vigo. Vale a pena deter-se a conhecer as joias patrimoniais de Redondela, como o Castelo de Soutomaior ou a ponte romana de Pontesampaio.

O mais conveniente é acabar a etapa em Pontevedra, pois a cidade conta com um grande património histórico e ruas muito animadas. Não se esqueça de visitar o santuário da Virgem Peregrina, símbolo da cidade e dedicado aos peregrinos. E no que tem a ver com a gastronomia, não perca a oportunidade de experimentar pratos de marisco, moluscos ou peixe, especialmente ostras, mexilhões, amêijoas e zamburiñas. E à sobremesa, folhados recheios de amêndoa.

Etapa 23
Pontevedra – Caldas de Reis (19 Km)

Esta etapa atravessa caminhos e aldeias típicas do formoso rural galego. Vai passar por vários pontos da estrada nacional (N-550, que une Pontevedra e Santiago de Compostela) para ziguezaguear por plantações, campos e aldeias durante todo o trajeto para Caldas, vila com história milenária conhecida pelas suas fontes termais. Não deixe de visitar as suas igrejas românicas e de colocar os pés nas águas termais da fonte das Burgas, pois eles bem merecem!

Se ainda não experimentou, experimente a empada galega. Tem de lampreia, de berberechos (berbigões), de sardinha ou de carne... Vai encontrar autênticas delícias nas etapas do Caminho Português que atravessam Galiza.

Etapa 24
Caldas de Reis – Padrón (17 Km)

Nesta etapa mudaremos a província de Pontevedra pela província da Corunha, para chegar a Padrón, onde é a freguesia de Iria Flavia, uma das mais importantes no que à tradição jacobeia diz respeito. Neste lugar levantava-se a antiga cidade romana homônima, a qual dispunha de um importante porto. Conta a lenda que foi em Iria Flavia onde o apóstolo Santiago aportou pela primeira vez em terras peninsulares, e foi lá que desembarcaram, tempo depois, os seus discípulos Teodoro e Atanásio, na barca de pedra na que transportaram os seus restos mortais desde Jerusalém. Estamos bem perto. A pedra, ou padrão, a que foi presa a barca está presentemente colocada no altar da Igreja de Santiago de Padrón.

Padrón é também o berço da poeta galega mais internacional, Rosalía de Castro, e na vila pode visitar a sua Casa da Matança. Aliás, deve provar os famosos pimentos de Padrón (ou de Herbón), com tortilla, com raxo ou sozinhos... São muito saborosos, mas lembre-se: "uns pican e outros non".

Etapa 25
Padrón – Santiago de Compostela (22 Km)

Hoje é o grande dia! Esta é a última etapa do nosso caminho, e em ela vamos andar por cima dos passos de Teodoro e Atanásio, os discípulos de Santiago o Maior que recolheram clandestinamente os seus restos mortais e, numa barca de pedra, iniciaram uma travessia marítima para Iria Flavia e mais tarde continuaram caminho até a atual Compostela. Esse trajeto será o que você faça nesta última etapa, atravessando aldeias e vilas até chegar à capital e à cidade mais monumental da Galiza: Santiago de Compostela. Em poucas horas estará na praça do Obradoiro, onde inevitavelmente as emoções emergirão sem pré-aviso: por um lado estará desejoso/a de tão ansiado abraço a Santiago, mas por outro não quererá que o Caminho termine. Mas tenha a certeza de que o Caminho vai continuar vivo em você, palavra de peregrino.

Etapas do Caminho Português pela Costa

O Caminho Português pela Costa inicia-se no Porto e decorre, entre o Atlántico e a serra, por cidades e vilas com um tremendo peso patrimonial, como Póvoa de Varzim, Viana do Castelo, Caminha, A Guarda, Baiona, Vigo e Redondela, onde volta a unir-se ao Caminho Português tradicional.

É uma rota pouco conhecida pelo momento ainda tendo tanta antiguidade como o Caminho Português clássico, e foi reconhecida como itinerário jacobeu. São 280 km os que separam a maior cidade nortenha de Portugal, Porto, de Santiago de Compostela, e 9 etapas de caminhada muito próximas ao mar.

Durante anos, a opção ao entrar em Galícia era apenas caminhar pelo interior, direção Tui, e seguir para Compostela. Entretanto, a rota de peregrinação pela costa caiu em desuso e manteve-se relativamente esquecida. Mas hoje pode escolher em terras minhotas qual caminho seguir: a rota interior e principal do Caminho Português ou rota da Costa.

O Caminho Português pela Costa é o mesmo traçado do caminho real que ligava o Norte de Portugal à Galiza, por sua vez herdeiro das antigas vias romanas, e ainda repleto de arvorado, cruzeiros e alminhas.

Também foi e é rota dos peregrinos provenientes de ultramar que arribam aos portos portugueses para começar rota para Santiago. A rota marítima também tem o nome de Caminho Monacal, por causa dos numerosos mosteiros que se encontram no percurso, entre os que destaca o Mosteiro de Santa Maria de Oia, na Galiza, construído pela Ordem Cisterciense no século XII.

Ao pé do Minho poderá decidir se chegar à Galiza de barca ou bem de ferry, tomando o que une a localidade portuguesa de Caminha com sua vizinha galega, A Guarda, Minho através. O percurso continua próximo ao Oceano Atlântico, pelos municípios costeiros de Oia, Baiona e Nigrán, para chegar à maior cidade galega, Vigo, desde onde seguirá para Redondela, ponto de união com os peregrinos que escolheram o Caminho Português clássico, e daí a Santiago de Compostela.

No total são 9 etapas a pé (196 km) e 4 etapas de bike (268 km).

  • A etapa 1 (24,5 Km) une Porto e Labruge.
  • A etapa 2 (14 Km) une Labruge e Póvoa de Varzim
  • A etapa 3 (24,5 Km) decorre entre Póvoa de Varzim e Marinhas
  • A etapa 4 (20,8 Km) une Marinhas e Viana do Castelo
  • A etapa 5 (26,8 Km) une a formosa cidade de Viana do Castelo e Caminha
  • A etapa 6 (23,5 Km) começa em Caminha e entra na Galiza pela vila de Mougás
  • A etapa 7 (16 Km) une Mougás e Ramallosa
  • A etapa 8 (22,6 Km) transcurre entre Ramallosa y Vigo
  • E a etapa 9 (16 Km) une Vigo e Pontevedra, continuando pelo Caminho Português tradicional para Santiago de Compostela

Dicas práticas para preparar o seu Caminho de Santiago Português

O lado bom da rota portuguesa do Caminho de Santiago é que não requer que o peregrino seja muito experiente ou esteja muito habituado ao trekking, pois este é um percurso relativamente cómodo e simples. Porém, é preciso um bocadinho de preparação física e mental prévias, como em todos os Caminhos de Santiago. De facto, se não houver uma preparação anterior, a probabilidade de contrair lesões aumenta, e é muito difícil sentir a espiritualidade ou gozar do Caminho quando as dores e o cansaço são constantes.

O Caminho Português de Santiago é uma rota comprida, mas com algum planejamento prévio e tempo, poderá fazer o percurso com calma, bem a partir de Lisboa ou a partir da Galiza, desfrutando das maravilhosas paisagens, da arte e das gastronomias portuguesa e galega.

Se o seu objetivo é fazer a totalidade do percurso, o treino físico deve ser maior, e deve começar o mais cedo possível, pelo menos três meses antes da sua peregrinação, mas se apenas vai fazer a parte galega da rota, com um par de meses ou um mês vai ser suficiente. Tudo vai depender da distância que vai percorrer para chegar a Santiago. Aliás, é importante que se habitue ao calçado que vai levar na sua viagem, pois deve saber que as moléstias e dores mais habituais para os peregrinos são as dores de pés, mas também as picadas nas pernas, músculos doridos ou moléstias nas costas devidas ao peso da mochila.

O importante no Caminho Português, mas também em todos os Caminhos de Santiago, é seguir o próprio ritmo. Convém preparar-se também mentalmente, estabelecendo as nossas prioridades, atendendo a questões como a própria resistência, as situações que teremos que defrontar (problemas para encontrar teto, capacidade para tolerar o barulho dos outros peregrinos nos albergues, capacidade para usar chuveiro partilhado, para dividir espaços com outras pessoas...), etc.

Tudo depende de você e do que deseje fazer na sua viagem. Lembre-se de que o Caminho de Santiago é o peregrino quem faz.

O que levar na mochila para fazer o Caminho Português?

Consiga uma mochila cómoda, adaptada anatomicamente, com alças acolchoadas ajustáveis e com reforços nas cadeiras, no peito, e barrigueira acolchoada ajustável para evitar a sobrecarga nos ombros. A mochila deve ter um tamanho que a faça manejável (30-40 L) e melhor se é impermeável. Se não o é, terá que conseguir uma capa impermeável para a cobrir. O peso das roupas e objetos que levemos deve ser equilibrado para a mochila acomodar bem ao corpo. Por isso, ao encher a sua mochila, deposite os elementos mais pesados -calçados, calças, roupa de abrigo, livros...-, perto das costas, e coloque o saco-cama ao fundo para amortecer. Nas bolsas exteriores situe o material que mais vaia utilizar e tente não levar consigo coisas supérfluas. É recomendável levar:

Vestimenta

Três jogos de roupa apropriada para a caminhada, quer dizer, leve, transpirável e de secagem rápida: em verão umas calças curtas e outras compridas, ou umas calças com as pernas destacáveis; em inverno, roupas para o frio.

Imprescindíveis

Produtos de higiene pessoal; um pequeno kit de primeiros-socorros; protetor solar e after sun; lanterna; garrafa metálica para a água; uma faca (um canivete suíço é ideal); ademais de calçado de trekking adaptado a pé, e outro calçado cómodo para visitar as cidades e vilas.


Para que serve e como obter a Credencial do Peregrino no Caminho Português

A Credencial do Peregrino é um documento essencial para poder passar a noite na maioria dos albergues públicos do Caminho de Santiago, e é também essencial para obter a Compostela, que é um "certificado" que comprova que o peregrino cumpriu a peregrinação completa até a Catedral de Santiago.

Para obter a Compostela é preciso caminhar pelo menos os últimos 100 km de cada Caminho de Santiago (200 se vai de bike) e carimbar a sua credencial a cada dia de caminhada.

No Caminho de Santiago Português pode carimbar a sua credencial de peregrino em distintos horários nos seguintes lugares:

  • Em Lisboa: Confraria do Apóstolo Santiago-Basílica dos Mártires (Rua Serpa, 10D)
  • No Porto: Centro de Estudos Jacobeus. Caminhos Portugueses a Santiago de Compostela (Rua das Virtudes, 11) e na Sé Catedral
  • Em Braga: Associação Espaço Jacobeus (Praça da Faculdade de Filosofia, 16) (também pode obter e carimbar nas suas delegações de Amarante, Barcelos, Braga, Guimarães, Oliveira de Azeméis ou Porto)
  • Em Viana do Castelo:Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Viana do Castelo (Rua General Luís do Rego, 149, Monserrate)
  • Em Ponte de Lima: Caminho Português para Santiago de Compostela (Rua do Carrezido, 7)
  • Em Valença do Minho: Paróquia de Sta. Maria dos Anjos
  • Em Tui: Confraria de Santiago de Tui e Baixo Miño – Iacobus (Amorim-Rotea, 4, Tomiño)
  • Em Vigo: Confraria de Santiago de Vigo, Paroquia de Santiago (rua García Barbón 29)
  • Em Pontevedra: Confraria do Apóstolo Santiago de Pontevedra (Rua Alta, 10)

Curiosidades sobre o Caminho Português de Santiago

Em Tui (etapas 19 e 20) é a Capela de Rebordáns, onde se encontra a Virgem do Caminho, uma imagem milagrosa esculpida numa pedra mágica. Esta pedra, que estava situada onde agora é a capela, voltava a cada noite à sua localização original, embora os vizinhos a arrojassem ao rio Minho de manhã.

Seguindo para o norte, no município de Mos, perto da igreja de Santiaguiño de Antas, encontrará outro miliário romano do Século II d.C., o capítulo 11 da Via XIX, o qual marcava 18.000 passos a partir de Tui para esse lugar exato do percurso que unia Braga com Astorga. Há muitos anos, quando o quiseram transladar para um museu em Pontevedra, os vizinhos rejeitaram a proposta, pois achavam que a pedra proporcionava fecundidade e sorte.

No núcleo urbano de Arcade, o Caminho leva-nos a atravessar uma ponte medieval, Ponte Sampaio, onde decorreu uma importante batalha homónima na que os habitantes da vila de Arcade se enfrentaram às tropas napoleónicas em 1809. Em cima desta ponte realizava-se uma antiga cerimónia, o baptismo antecipado, mediante o qual se ungia com água do rio o ventre de uma mulher grávida para garantir um parto bem-sucedido.

Antes de você chegar a Santiago, em Padrón, aproveite para deter-se na Igreja de Santiago, levantada na margem esquerda do rio Sar por ordem do famoso Arcebispo Gelmírez em 1133. No altar maior está presentemente colocado o Pedrón, uma ara romana de pedra dedicada ao deus Neptuno que se reinterpretou como símbolo jacobeu, pois conta a lenda que foi o miliário no que se prendeu a barca em que chegaram os restos mortais do Apóstolo Santiago a Iria Flávia

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Conheça outros Caminhos

O Caminho Francês de Santiago é um dos caminho mais exigentes, mas existem alternativas que deveria conhecer.

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